Ir para o conteúdo principal

Buscar no CooLWJ

选择搜索范围,输入关键词后按回车。

Idioma

Um volume nas mãos

Romance de rotas comerciais e reencontros em ambientação chinesa antiga

Quando você voltar

酷无极 · Criação com IA · 9466 caracteres · Cerca de 10 minutos

Lu Zai virou de cabeça para baixo o desenho da figurinha, examinou-o e perguntou se era um modelo de como amarrar a mercadoria nova.

No dia vinte e dois do sexto mês, Lu Yan acabara de voltar da firma e ainda trazia na roupa um pouco do cheiro de palha seca do depósito. O bilhete que Yao Jia enviara rio abaixo no dia dezenove chegara na noite do dia vinte. Ele o guardara no caderninho e já o tinha lido várias vezes. Naquele dia levou tudo para casa e, ao folhear os desenhos da antiga morada, o bilhete escorregou para a mesa. O pai o apanhou e, ao ver que os pés eram maiores que a cabeça e que a figura ainda pendia entre cordas, ficou mais sério do que ao examinar qualquer documento de verdade.

Ele se apressou a pegar o papel de volta e disse que era um desenho que tinham feito de passagem. O pai perguntou se era gente ou macaco. Lu Yan sentiu o rosto esquentar e respondeu que era um bonequinho de madeira tentando dar cambalhotas. Lu Zai enfim entendeu e riu. Disse que já vira um daqueles e que achava que o filho, depois de tanto tempo lidando com carga, ia querer saber até como amarrar um macaco de madeira antes de pôr no barco. A mãe passou vinda do fogão, ouviu o fim da frase e também riu. Lu Yan guardou o papel com as orelhas ainda quentes e quase pôs de cabeça para baixo o esboço da reforma que tirou em seguida.

O carpinteiro He fizera aquele desenho depois de tirar novas medidas, a pedido de Lu Yan, antes que ele deixasse o porto. O plano era consertar só um cômodo habitável no lado leste, substituir as telhas que precisavam de troca, tratar primeiro a umidade na base das paredes e manter a porta se ainda fechasse. Lu Yan ainda não havia decidido, e He já tinha outros serviços na fila. Como a obra só poderia começar em meados do oitavo mês, ele mandara pelo barco que descia o rio apenas o desenho e o orçamento total. Agora, ao revê-lo com os pais, Lu Yan via à luz da lamparina uma casa com menos da metade do que imaginara antes de voltar à terra natal.

Dos mil e oitocentos que Lu Yan havia separado, o carpinteiro He calculava que novecentos e oitenta bastariam dessa vez. A madeira ainda boa da casa ancestral serviria para reparar o canto da janela, e acrescentariam madeira nova onde a antiga estivesse estragada, sem desmontar e refazer toda a entrada do salão. O pai apontou para a janela e perguntou por que era preciso levá-la para o lado mais claro. Lu Yan respondeu que o beiral era fundo, que ali ficava escuro até de dia e que, morando lá, ele vivia tendo de mudar a lamparina de lugar. Enquanto dizia isso, ouviu por dentro a voz de Yao Jia dizendo que, se fosse mesmo morar ali, primeiro fizesse uma abertura um pouco maior, e o canto de sua boca se mexeu sem que percebesse.

Lin Qian percebeu, mas deixou passar. Virou o papel para si e perguntou de que lado ficaria a cama. Lu Yan mostrou, e o pai logo achou a mesa apertada. Se alguém viesse se sentar, só haveria espaço para um banco. A mãe disse que primeiro era preciso que ele mesmo pudesse morar ali. Antes mesmo de voltar, já haveria de arrumar lugar para dez visitas? E, se viesse alguém que importava, custava trazer mais um banco?

Lu Zai resmungou que, na época, ela também tinha achado alto demais o banco que ele preparara para ela. Depois que ele serrou as pernas para baixá-lo, ela disse que, junto ao fogão, já não alcançava o que precisava. Lin Qian riu na hora e disse que ele é que insistia em fazer um banco servir por dois, tanto para sentar como para subir e pegar as coisas. Ela ainda nem o tinha repreendido por economizar madeira até nas pernas do banco. Entre os dois, Lu Yan ficou imaginando o banquinho serrado e já não conseguiu desenhar com precisão absoluta cada parte do projeto diante dele.

Ele escreveu o total de novecentas e oitenta moedas no canto. Explicou aos pais que daria cento e vinte de sinal, mais trezentas e sessenta para o material novo quando a obra começasse no oitavo mês e as quinhentas restantes depois da vistoria. He só usaria a madeira em bom estado que já havia na casa ancestral. A velha viga sob o beiral dos Yao, que entrara no acerto das ameixas, continuava lá. Estava inteira e não cabia tirá-la de lá só porque ele agora pensara em madeira. O pai perguntou se dessa vez estava acertado com He. Ele respondeu que, ao chegar a Changgan, acertaria tudo pessoalmente. O dinheiro que ainda não saíra ficaria fora das contas de obra concluída.

Ao ouvir isso, o pai tornou a olhar para a mão direita, que já não tinha muita firmeza, e disse baixinho que, em outros tempos, não teria de esperar até o oitavo mês para consertar aquele canto. Depois de falar, porém, estendeu a mão para o papel, como se ainda quisesse desenhar para o filho qual das pontas podia ser trocada. Lu Yan lhe entregou o pincel. O pai tentou segurá-lo, a ponta tremeu sobre o espaço em branco e, por fim, ele o pousou de novo e perguntou se He, o terceiro irmão, ainda usava aquela plaina comprida.

Lu Yan respondeu que sim, que o fio da lâmina estava bem fino e que a madeira saía brilhando depois de aplainada. O pai assentiu e contou que, quando jovem, gostava de segurar o cabo bem no fundo, até que um mestre carpinteiro lhe deu uma pancada na mão com uma ripa. Ao falar da pancada, foi o primeiro a rir. Só então Lu Yan soube que, naqueles tempos, o pai também podia ser alvo de brincadeiras junto com os carpinteiros. Nem sempre fora o homem sentado no salão, a quem os outros escutavam anunciar preços.

À noite, a mãe guardou num embrulho de pano separado suas moedinhas para remédios e comida. Disse que, na casa da irmã, sobrara algum dinheiro, que ainda dava para comprar umas coisas de que gostava e que o filho podia parar de pôr mais moedas ali toda vez que a via mexer no dinheiro. Lu Yan a viu devolver uma moeda antiga ao embrulho e perguntou quando podiam ir comprar juntos daqueles bolos tostados nas bordas. Ela disse que seria quando ele tivesse tempo de verdade. Que não fosse outra vez comprar de olho no cais, já a bordo antes mesmo de pôr o bolo na boca.

Ele disse que poderia folgar na tarde seguinte, mas a mãe respondeu que já tinha marcado de se encontrar com a pessoa que trouxera notícias da irmã. Iria para o lado leste da rua e não o esperaria. Lu Yan se surpreendeu por um instante, depois sorriu e disse que escolheriam outro dia. A mãe sorriu também. Seu sorriso não parecia uma recusa. Ela simplesmente já tinha reservado aquela tarde para outra coisa. Sentado junto à mesa, ele pensou no bonequinho pendurado de cabeça para baixo que Yao Jia desenhara na carta e de repente quis também ter uma tarde só para ir ver que cambalhotas ele era capaz de dar.

Na manhã cedo do dia vinte e quatro, ele tornou a subir o rio de barco para Chengzhou. Ainda havia duas contagens de recipientes devolvidos a fechar pessoalmente no cais local. Levaria os registros de volta no fim do mês e conferiria o lote seguinte em Yuepu no dia três do sétimo mês. Deixara o itinerário por escrito nas duas pontas da viagem, de modo que a mãe não precisasse adivinhar pelo barulho do cais em que dia voltaria. O pai o acompanhou até a porta. Não tornou a perguntar quem ainda devia alguma coisa. Só pediu que tomasse cuidado com a tábua do degrau que levava ao andar de cima da casa antiga. Se estivesse frouxa, ficasse no térreo e não fosse logo pisar nela só para poupar um passo.

Lu Yan disse que sabia, embrulhou o desenho do reparo no pano e, quando ia sair, o pai o chamou de novo. Lu Zai pegou junto à janela um pedaço de corda macia que separara e mandou que o levasse: para embrulhar papel, a corda não devia ser áspera demais, pois as fibras soltas acabariam rasgando-o ao puxar. Ele a segurou. Tinha pouco mais de um palmo e não valia uma anotação à parte em livro de contas algum, mas de fato era mais lisa que a corda que ele pegara ao acaso.

O barco navegou três dias e chegou a Chengzhou ao cair da tarde do dia vinte e seis. Lu Yan primeiro conferiu no porto de origem as duas linhas que precisavam ser completadas. No dia seguinte ainda teria de verificar de novo. Por hoje, ainda não podia dizer que estava tudo pronto. Ao sair, o ajudante Yan perguntou se ele ia consertar a casa da família e brincou que finalmente ele ia fazer algo além de tirar a chave todo dia para ficar olhando. Ele respondeu que ia reformar só um cômodo. Yan disse que um já estava bom, assim ele teria onde ficar sem medo de precisar procurar óleo de lamparina no meio da noite. Então empurrou para dentro um recipiente vazio que estava para fora demais junto à porta.

O carpinteiro He ainda estava na oficina, com aparas amontoadas junto aos sapatos. Ao vê-lo com o desenho, perguntou primeiro se queria acrescentar de novo a porta do salão. Lu Yan sorriu e disse que não; na verdade, queria deixar o banco de modo que pudesse ser levado para outro lugar. O carpinteiro não entendeu por que ele brincava com o banco. Apontou para a coluna antiga no papel e disse que ela ainda estava firme; não podiam deslocá-la e comprometer sua sustentação só para ganhar um pouco de claridade. A janela só poderia ser aberta para o lado, com um apoio adicional junto dela, sem mexer na parte superior que recebia o peso. Acompanhando a explicação, ele enfim entendeu que até um pequeno quadrado de luz no papel, para entrar de verdade na casa, precisava primeiro dar à madeira um lugar onde se apoiar.

Os dois fixaram por escrito o início da obra em doze do oitavo mês: se houvesse chuva contínua, não forçariam o ritmo; a vistoria seria, no máximo, no dia dezoito. Por enquanto, fariam apenas um cômodo, sem acrescentar outros itens à lista só porque alguém o chamasse de quarto de recém-casados. Lu Yan contou cento e vinte moedas; o carpinteiro He conferiu e lhe deu um recibo. Das restantes, trezentas e sessenta seriam pagas no início da obra para preparar os materiais, e quinhentas após a vistoria, num total de novecentas e oitenta. Não tratou o saldo como gasto antes de o dinheiro sair de suas mãos.

Ele embrulhou bem o recibo, sentiu na mão o cordão curto que o pai lhe dera e resolveu usá-lo. O cordão contornou o papel sem apertar e sem sobrar a ponto de virar um emaranhado. Lu Yan parou à porta por um instante e sentiu uma vontade repentina de contar ao pai aquela coisinha. O carpinteiro He pediu que viesse no dia seguinte tirar a tralha do quarto, para não descobrir só no oitavo mês que debaixo da cama ainda havia coisas empilhadas até meia parede. Lu Yan concordou. Ele mesmo achava bem possível que houvesse.

Quando voltou à casa da família, a loja dos Yao ainda estava iluminada. Ele não deu a volta para chamar Yao Jia e lhe mostrar o desenho. Primeiro, tirou a própria cama do lugar úmido. Quando levantou a esteira de palha, um inseto cinzento correu para uma fresta na parede e o assustou a ponto de fazê-lo recuar meio passo. A janela era pequena, e o cômodo, escuro, mas aquele lugar onde já dava para morar existia para além do papel do carpinteiro He. Ele arregaçou as mangas e arrastou debaixo da cama o baú vazio. A poeira veio direto no seu rosto. Ele primeiro tossiu, depois riu.

Alguém que passava pela porta ouviu e perguntou se tinha briga lá dentro. Ele respondeu que estava brigando com a poeira, e a pessoa se afastou rindo. Lu Yan levou um pano até o poço para se lavar. A água refletia o pontinho de luz do outro lado. Ele lavou o rosto, passou a mão distraidamente pela gola e lembrou de Yao Jia dizendo da outra vez para ele não ficar com a boca cheia de poeira. Acabou lavando o rosto de novo. De volta ao quarto, pôs o desenho do bonequinho num lugar mais alto e seco, e ao lado guardou o desenho da reforma, pelo qual já tinha de fato dado o sinal.

· Fim do capítulo ·

Este livro é uma obra original escrita com auxílio de IA, ampliando 《长干行二首》 (Dois cantos de Changgan), de Li Bai, e o conto original deste site 《青梅旧账》 (Velhas contas das ameixas verdes). Os personagens, as casas comerciais, os preços, a geografia e a cronologia são imaginários; foram preservados os elementos centrais da obra original: acertar antigas dívidas, voltar a reconhecer o valor dos ofícios e do trabalho e estabelecer, já na vida adulta, novos termos para a convivência. Não se trata de uma biografia do poeta.

Sumário deste livro · 38 capítulos
  1. As ameixas verdes na manga
  2. O calor à boca do pote
  3. Aceitou só cento e sessenta
  4. Uma colherada doce demais
  5. A mancha de tinta ao lado do cavalinho de bambu
  6. As ameixas amoleceram primeiro
  7. Dias de voltar ao barco
  8. O negócio que não vingou
  9. Uma tigela esperando esfriar
  10. A língua não se lembra
  11. O espaço que não bastava
  12. Duas vias do contrato de frete
  13. As folhas deixadas primeiro na margem
  14. A pergunta que ficou por fazer
  15. Não há espaço no rio
  16. O macarrão de verão ficou forte demais
  17. O pai ainda está à mesa
  18. Folhas ao sol
  19. Contar aquela noite inteira
  20. O almoço no beco Wa
  21. Antes de quitar a dívida
  22. Quem ficou de fora das contas
  23. Três dias rio acima
  24. Esses onze anos não foram vazios
  25. Devolver um feixe de cada vez
  26. Um pires de vinagre mais suave
  27. Os três dias da mãe
  28. O azedume que não vinha
  29. Quando você voltar
  30. Diferente de quando eram jovens
  31. Barcos, uns antes e outros depois
  32. Um pratinho de ameixas que não estão à venda
  33. As luzes descem sob a água
  34. Dois dias rio abaixo
  35. Na margem dele
  36. A rua que ela mesma queria ver
  37. Um quarto onde se pode morar
  38. Ainda há espaço na página nova

Comentários

Carregando comentários…

← Volte à estante e leia a próxima história

Escolha seu tema

O tema é aplicado a todo o site.