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Um volume nas mãos

Romance de ambientação chinesa antiga sobre ofícios e vida social

Quanto custa um ramo

酷无极 · Criação com IA · 11730 caracteres · Cerca de 12 minutos

No fim do ano, voltou a vagar um pedacinho coberto no Mercado do Oeste. O vendedor de sapatos tinha encerrado o trabalho e ia voltar à sua terra, disposto a passar a outra pessoa os dias que ainda lhe restavam. Quando Gu Qing passou, a cortina azul em que antes pensava todos os dias estava bem à sua frente, mas ela não parou. Os ramos que devia entregar à loja dos Yao já estavam amarrados no cesto, e Xiaoman esperava que ela voltasse para contar as peças. Os oito ramos do Mercado do Leste, os dezoito e a próxima encomenda, ainda fora do livro de contas, separavam-na daquele pedaço de chão onde um tijolo prendia a ponta do pano.

Ela passou dois passos adiante da banca, voltou de repente e perguntou quanto custava ficar ali só meio dia. O vendedor de sapatos disse que meio dia ocupava o lugar do mesmo jeito. Fosse por quanto tempo fosse, eram seis moedas. Gu Qing sentiu na mão o peso do cesto de flores e não tomou logo as seis moedas por prejuízo. Tirou alguns ramos de flores vermelhas de ameixeira e algumas camélias que tinha reservado para si e os arrumou sob a cortina. Não estava ali para vender em nome da loja de Yao, nem para esperar que alguém escolhesse modelos. Só queria ficar sentada meio dia e ver o que de fato queriam as pessoas que vinham comprar suas flores.

Os primeiros a chegar continuavam sendo os que queriam as florzinhas mais baratas. Uma moça que carregava água para os outros ficou um tempão apalpando uma flor e perguntou se podia sair por menos. Gu Qing disse que o preço já estava escrito. Soou tanto como Yao Liao que ela própria se espantou. A moça recolheu a mão sem discutir e foi comprar um pedaço de cordão vermelho de um pé de comprimento. Gu Qing quis chamá-la de volta, mas logo chegaram outras duas pessoas perguntando qual modelo amassava menos quando usado. Ocupada com elas, perdeu a chance de falar.

Em meio dia vendeu cinco ramos e ficou com quarenta moedas a mais na mão. Mesmo descontando o aluguel da banca, era mais do que receberia da floricultura pela mesma quantidade. Mas, quando foi buscar um gole de água quente no abrigo dos fogões, teve de pedir à vendedora de pentes da banca ao lado que olhasse sua cesta de flores. Na volta, precisou cuidar da banca da outra por um tempo. Nesse meio-tempo apareceu um freguês, e alguém já tinha amassado o ramo mais barato, deixando um vinco. Gu Qing não podia dizer que a vendedora de pentes tinha cuidado mal da cesta, então ela mesma ajeitou o ramo. Antes, essas pequenas coisas aconteciam todo dia. De tanto esperar encomendas em casa ultimamente, parecia ter se esquecido delas.

Uma cliente bem-vestida parou diante do pano, elogiou a vivacidade do miolo da camélia e perguntou de que loja era. Gu Qing disse que ela mesma a fizera, e a cliente logo quis saber se ela tinha ponto fixo. Gu Qing apontou para a cortina azul emprestada às suas costas, mas se conteve no meio da frase. Disse que morava na Travessa do Portão Oeste e que também fornecia flores à Liaohuaji, no Mercado Leste. Só ao ouvir o nome da loja a cliente relaxou, comprou um galho e foi embora. Gu Qing apertou os oito wen na mão, contente, mas com pouca vontade de olhar para a mão que acabara de apontar para a fachada.

Quando chegou em casa, Xiaoman já tinha separado as flores para entrega e trabalhado um quarto de hora a mais que o meio dia combinado. Gu Qing estava ocupada contando o dinheiro que acabara de ganhar e não percebeu de imediato. A avó trouxe do fogão uma tigela de água quente e mandou que lavasse as mãos antes de passar a poeira da banca para a seda nova. Ela respondeu que sim e perguntou se Xiaoman também podia vir um pouco no dia seguinte. Xiaoman disse que na véspera do Ano-Novo precisava voltar para casa para cozinhar bolos no vapor. Nos outros anos sempre ficava gente na tinturaria. Naquele ano, enfim, era a vez dela de folgar.

Gu Qing assentiu e disse que então seria depois de amanhã. Xiaoman deu um risinho e perguntou se depois de amanhã não era o primeiro dia do ano. Só então Gu Qing percebeu que já contava os dias pelo número de flores. Apressou-se em dizer que não estava exigindo que ela viesse, só tinha perguntado por perguntar. Xiaoman firmou o velho grampo no cabelo e disse que em casa tinha gente que queria preparar uma refeição para ela e que não podia fazê-los requentar a comida toda vez. Gu Qing não contestou, mas de repente já não sabia em que dia encaixaria as hastes que tinha calculado antes para dar conta de todas.

À tarde, ela foi à loja Yao entregar a encomenda. Das três floristas da loja, algumas já tinham arrumado suas trouxas. Quem ficou junto ao balcão foi a própria Yao Liao. Ela devolveu duas hastes de camélia a Gu Qing e disse que, na entrega, as pétalas tinham chegado apertadas demais pela amarração e não conseguiam se abrir. Se alguma cliente saísse com uma delas no Ano-Novo, no dia seguinte seria ainda mais difícil dizer em que estado voltaria. Gu Qing virou as hastes para olhar a base. Primeiro pensou no jeito como Xiaoman revestira os caules, depois viu a volta de linha que ela mesma apertara por último. De imediato, não conseguiu distinguir onde a pressão começara.

Yao Liao não reteve o restante. Aceitou as flores boas pelo preço combinado e examinaria as estragadas depois do conserto. Gu Qing perguntou se naquele ano o preço de fornecimento continuaria em apenas seis wen. Yao Liao disse que, se ela montasse a própria banca, tudo o que vendesse seria dela, mas que, numa loja, a conta ia além do instante da venda. Não voltou a se defender falando do pagamento das três mulheres. Só tirou da gaveta a cobrança do aluguel para o último terço do mês, pôs sob a pilha de caixas de flores que acabara de receber e se virou para endireitar as flores que já pendiam no canto do balcão.

Gu Qing também a ajudou a arrumar uma caixa. As mãos das duas conheciam bem o serviço, e por um tempo deixaram de falar de preço. De repente, Yao Liao perguntou quantos dias de folga a nova ajudante teria na virada do ano. Gu Qing disse que ainda não havia decidido. Yao Liao lançou-lhe um olhar e contou que, no primeiro ano em que contratou alguém, também achava um desperdício deixar de trabalhar com tantos clientes nas festas. Depois, num certo ano, o filho de uma funcionária disse “mamãe” pela primeira vez no primeiro mês do ano. Ela estava fora de casa e, quando voltou à loja, não disse uma palavra. Desde então, a cada primeiro dia do ano, Yao Liao tomava cuidado para não tratar como pouca coisa o tempo que tirava dos outros.

Ao ouvir aquele pequeno caso, Gu Qing primeiro se espantou de uma dona de loja dizer algo assim. Logo temeu que Yao Liao estivesse aproveitando a ocasião para sugerir que ela fornecesse menos flores. Encontrou dois motivos possíveis para a outra ter dito aquilo e, com isso, nem deixou que as palavras pousassem direito à sua própria mesa. De volta a casa, entregou a Xiaoman os dois ramos devolvidos. Disse que era preciso enrolar de novo, bem apertado, junto à base, e que aquele serviço ainda não podia contar como trabalho novo. Xiaoman pegou os ramos e perguntou se a haste estava frouxa ou se tinham amassado a flor. Gu Qing disse que era um pouco dos dois, que primeiro acertassem e mandassem de novo. O cliente não ia distinguir uma coisa da outra por elas.

Xiaoman baixou a cabeça para desfazer os fios e por fim viu que a volta mais externa estava apertada demais. Fora acrescentada quando amarraram o maço inteiro, e não tinha sido ela. Mostrou a Gu Qing, que estava prestes a ajudar a avó a levantar a panela e respondeu que já ia olhar. Depois que ergueram a panela, as duas examinaram o ramo. Gu Qing ainda disse que, se o nó de dentro na base estivesse mais rente, talvez o aperto de fora não tivesse estragado tanto a flor. Assim que ela terminou de falar, a mão de Xiaoman parou. Demorou um bom tempo até que ela voltasse a desfazer a amarra.

Na hora de acertar o pagamento daquele dia, Gu Qing pôs primeiro quatro wen pelo trabalho novo, tirou mais dois e disse com a voz abafada: “Desta vez fui eu que amarrei por fora. Vou pagar por este conserto também.” Xiaoman guardou os dois wen à parte e não falou dos outros dois, ainda descontados pelo trabalho do dia quinze do décimo segundo mês, quando Gu Qing não lhe ensinara o nó de dentro. Devolveu as duas flores corrigidas e perguntou se, quando viesse no dia três do primeiro mês, começariam do zero a contagem do trabalho novo. Gu Qing disse que sim e acrescentou que, quando as encomendas se firmassem, haveria mais do que aquelas poucas peças e seria mais fácil conversar sobre o pagamento. Xiaoman disse que ia para casa pôr os bolos no vapor, que a esperavam lá. Antes de sair, ainda juntou todas as pontas de linha sobre a mesa, sem dar a Gu Qing motivo para dizer que ela guardava rancor ou que trabalhava sem capricho.

Ela tinha escolhido aquele casaco na tarde do dia vinte e nove. Havia vários pendurados na loja de roupas prontas. Um era macio, outro mais grosso, com uma faixa escura na gola que lhe dava um ar mais vistoso. Sabia bem que a avó passava muito tempo sentada e ia escolher o mais macio. Quando o atendente disse que o outro tinha mais presença para sair, a mão dela parou sobre a faixa escura. Ao pagar, ainda pensava que, quando a avó fosse visitar os vizinhos, eles também deviam ver que fazer flores rendia algum dinheiro à neta.

O balconista perguntou o tamanho. Ela comparou com o casaco velho que tinha levado, prestando atenção apenas à largura dos ombros e ao comprimento das costas, sem tornar a olhar a gola. A gola do casaco velho tinha sido desmanchada e refeita pela própria avó e era um tanto mais baixa que a original. Ela enrolou de novo a roupa velha. Um remendo ficou à mostra por dentro, e ela logo o cobriu com a camada de fora, como se temesse que aquela mancha de tecido gasto fizesse os outros darem menos valor também à roupa nova.

Na volta para casa, ao passar pela cabeceira da ponte, viu que a oficina de guarda-chuvas dos Zhou já estava meio fechada. Lu Ying levava para dentro uma panela de arroz recém-aquecido e dizia a Zhou Jiping para largar aquele pássaro torto e vir comer primeiro. Gu Qing ouviu o leve raspar da asa na porta. Não entrou, só apertou um pouco mais contra o peito o casaco acolchoado. Imaginou a avó vestida com ele, numa cena tão luminosa que quase não deixou espaço para a possibilidade de a gola ficar desconfortável.

Na véspera do Ano-Novo, Gu Qing deu à avó um casaco acolchoado novo. Não era muito caro, mas a gola era mais larga que a do antigo. Shen Su experimentou e disse que, quando se sentasse para trabalhar, a gola pegaria no queixo. Gu Qing logo dobrou a gola e perguntou se a cor era escura demais. A avó disse que gostava da cor, mas que a gola precisava de ajuste. Gu Qing ficou um pouco decepcionada. Quando comprou o casaco, imaginou que a avó ficaria feliz assim que o visse, sem ganhar mais uma tarefa. Só quando a própria avó pegou a agulha para descosturar a gola, Gu Qing a tomou da mão dela e disse que podiam ajustar com calma ali mesmo, sem pressa de vestir para mostrar a ninguém.

Comeram uma refeição sem muita fartura. De vez em quando, soavam fogos de artifício lá fora, e na casa dos Wen ainda havia gente vigiando o portão sul, que não fora inteiramente vedado. Xu Tan trouxe um pratinho de frutas curtidas em mel, e Gu Qing retribuiu com um pacote de bolinhos que ela mesma fizera no vapor. As duas famílias conversavam por cima do muro, sem precisar gritar até a entrada do beco como antes, mas o perfume das flores de ameixeira já não era tão intenso quanto no começo do mês. A avó perguntou se visitariam os parentes na manhã seguinte. Gu Qing disse que primeiro descansaria. Imaginara que um dia finalmente sem ninguém cobrando flores seria tranquilo, mas, quando se deitou de verdade, não parava de pensar em qual caixa ainda poderia estar mal fechada.

No primeiro dia do ano, Xiaoman de fato não veio. Com o banquinho vazio, Gu Qing se via estendendo a mão uma vez a mais a todo momento. Ela trabalhou só parte do dia e se limitou a refazer o arremate da base dos dois galhos devolvidos. À tarde, depois de terminar de ajustar a gola da avó, reparou que por dentro da gola antiga também havia uma camada de linha que já fora descosturada e costurada de novo. Shen Su disse que o tecido já tinha sido usado por outra pessoa e esquentava do mesmo jeito. Gu Qing escondeu aquela volta de linha por dentro, já sem a pressa de fazer tudo parecer bom e novinho em folha, como se fosse a primeira vez.

No terceiro dia do primeiro mês, chegou a carroça de volta. Luo Yi mandou os cento e sessenta e oito wen que faltavam, mais dois pedacinhos de papel perfumado já testado. Sem escrever elogios compridos, só disse que os dezoito ramos estavam lá, que seis flores podiam ser retiradas e que mesmo de longe dava para reconhecê-las sobre a mesa. Gu Qing despejou as moedas numa tigela. O som foi tão claro que de repente ela quis mesmo que a travessa toda o ouvisse. Pegou uma amostra azul que sobrara, colocou-a ao lado da avó e perguntou várias vezes se estava bonita. A avó nem tinha terminado de responder e Gu Qing já não conseguia parar de rir.

Quando Xiaoman chegou, deu com aquela risada. Gu Qing chamou-a para ver o recado de Luo Yi e apontou o trecho das seis flores removíveis. Ainda bem, disse, que você me lembrou de não costurar tudo junto de uma vez. Xiaoman também sorriu e empurrou a tigela mais para dentro, com medo de que um esbarrão derrubasse tudo no chão. Por um breve instante, as duas estavam como no dia em que atravessaram a ponte carregando juntas o pano molhado, com a mesma coisa nas mãos para lhes dar alegria, sem que nenhuma pusesse logo outro número por cima.

Mas, quando começaram a dividir o trabalho novo, Gu Qing voltou a distribuir pelos primeiros dias do ano as bandejas que Xiaoman deveria fazer. Xiaoman olhou e disse que, para o terceiro dia, só tinha prometido vir meio período, porque à tarde ainda precisava voltar à tinturaria. Gu Qing levantou a cabeça e perguntou se já não tinham combinado que dali em diante seria um pouco mais. Mal saíram as palavras, a alegria que havia um instante antes no quarto pareceu escorrer de leve pela borda da tigela. Xiaoman não a aparou. Só juntou os materiais das suas três porções, sentou de novo no banquinho e baixou a cabeça para fazer primeiro o que já estava combinado para aquele dia.

· Fim do capítulo ·

Este livro é uma obra original escrita com auxílio de IA, ampliando 《梅花》 (Flores de ameixeira), de Wang Anshi, e o conto original deste site 《不卖春风》 (Não vendo a brisa da primavera). Os personagens, os negócios, a geografia e a cronologia são imaginários; não se trata de uma biografia do poeta. Foram preservadas as escolhas centrais da obra original: proteger a árvore, as flores de seda sem perfume e a contemplação dos lótus por avô e neto.

Sumário deste livro · 36 capítulos
  1. O perfume frio não está na seda
  2. O lugar cercado de cal branca
  3. A tesoura sob a lua
  4. Flores de ameixeira de seda sobre a mesa
  5. O portão voltado para o outro lado
  6. Dois pequenos cordões de moedas
  7. A curva que abriu espaço
  8. Uma placa sem perfume
  9. Meio dia de pagamento
  10. A flor que não é flor
  11. Encaixotando depois da neve
  12. Quanto custa um ramo
  13. A véspera de Ano-Novo na casa dos outros
  14. Depois da floração
  15. Imprimir o nome no papel
  16. Uma tigela de comida fria
  17. Da primeira vez, não se pode refazer
  18. As caixas devolvidas
  19. Um pátio para duas pessoas
  20. A chuva passa pela velha valeta
  21. As contas de Xiaoman
  22. Um espaço ao lado do guarda-chuva
  23. A primavera que os fregueses querem
  24. As flores deixadas sobre a mesa
  25. O caminho de uma pessoa
  26. Não reservar o quinto mês para os negócios
  27. Quem olha as flores
  28. A terceira bolsa de moedas
  29. O que fazer com a árvore no verão
  30. Antes de embarcar
  31. O primeiro trecho por água
  32. As folhas de lótus ainda não se abriram
  33. Aquela flor no meio das águas
  34. Na volta, sem correr atrás da floração
  35. A sombra de verão da ameixeira
  36. Fazer mais um ramo novo

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